A onda das pulseiras
18/03/2010
As pulseiras do sexo, como é conhecida a nova moda entre os adolescentes que teve origem na Inglaterra e foi difundida pela internet, tem preocupado os pais dos alunos do Madre Bárbara. Alguns pais exigem a proibição do acessório na escola e a diretora Maria Elena Jacques esclarece qual é a posição do colégio a respeito do assunto.
Segundo Maria Elena, o colégio não pensa em proibição e sim em conscientização. A diretora esclarece aos pais que a escola está ciente sobre o uso das pulseiras e apenas mantém a mesma postura que sempre teve diante de situações como esta, de observar e orientar. Ela conta que será feito um trabalho com todos os professores conselheiros e os pais receberão informações em atendimentos e reuniões. ”Contamos com apoio dos pais para fazermos um trabalho integrado”, pede a diretora.
Para a orientadora do colégio, Odete Spessato, se houver proibição ao uso, esta deve partir dos pais e não da escola. “Os pais precisam criar limites e dialogar com seus filhos, esclarecer que isso pode ser um ato de desrespeito com o próprio corpo e aproveitar o assunto para falar com eles sobre sexualidade” aconselha a orientadora. Ela acredita que, neste contexto, o papel da escola é o de orientar, explicar a conotação do uso das pulseiras e também poderá contribuir promovendo um debate entre os adolescentes sobre sexualidade.
Como surgiu a moda e como funciona: As pulseiras de silicone que existem no mercado há muitos anos, sendo que muitos pais já devem até ter usado na sua adolescência, receberam essa conotação sexual a partir da Inglaterra e se disseminou pelo mundo com ajuda da internet. De acordo com artigos divulgados em jornais, revistas e sites, quem usa as pulseiras passa a fazer parte de um jogo chamado Snap. Nesse jogo o objetivo é arrebentar determinadas pulseiras de outro “participante”, sendo que cada cor corresponde a um tipo de carícia diferente (ver lista no quadro). Então quando consegue arrebentar a pulseira do colega tem o direito de exigir a carícia correspondente.
O que pensam os alunos:
O aluno Leandro Peixoto, de 13 anos, por exemplo, conhece o jogo e o código das cores, mas admite que usa as pulseiras só porque acha bonito, não porque têm intenção de praticar o tal joquinho. Outro menino que usa as pulseiras, somente como acessório de moda, é o aluno Matheus Araújo. Como Leandro, Matheus garante que nunca “rolou” nenhum tipo de intimidade por causa das pulseiras. Para ele, elas são simplesmente bonitas e coloridas.
Já para a aluna Letícia Toriani, de 16 anos, é ridículo que essa história tenha gerado tanta polêmica. “Não é uma pulseira que vai determinar o caráter das pessoas”, diz Letícia. Para Marina Goergen, de 15 anos, é ainda pior porque nem como acessório ela acha interessante usar. “É feio e cafona”, confessa a aluna.
Por outro lado, Amanda Lazzari, 14 anos, acha que as pulseiras até podem ser usadas na “balada”, como código para aproximar as pessoas, mas deixa claro que somente com as cores menos comprometedoras. Como Amanda, as alunas Camila Pires, de 14 anos, e Carolina Pohl, de 16, acham que essa onda das pulseiras é uma modinha passageira, que não ameaça a integridade de ninguém, e é uma febre da internet que não precisa preocupar tanto os pais. Todas afirmam que as crianças e adolescentes usam mais por ser moda do que pelo comportamento, pelo jogo. “Os pais exageram na preocupação e a mídia estimula ainda mais”, opinam as três alunas.
Colaboração (entrevistas) das alunas da Oficina de Práticas Jornalísticas: Barbara Zanella, Letícia Tiescher Toriani, Marina Crestani Goergen, Luana Schmitz, Carolina Pohl, Camila Andres Pires, Amanda Lazzari.
Código das cores:
- Rosa: mostrar o peito
- Laranja: dentadinha de amor
- Roxa: beijo com a língua e talvez sexo
- Verde: chupões no pescoço
- Vermelha: Fazer uma lap dance
- Rosa: sexo oral a ser praticado pelo rapaz
- Branca: a menina escolhe o que preferir
- Azul: sexo oral a ser praticado pela menina
- Preta: fazer sexo com o rapaz que arrebentar a pulseira
- Dourada: fazer todos citados acima